A polícia prendeu 283 pessoas em Paris neste sábado (30) após confrontos violentos que ocorreram quando milhares de pessoas tomaram as ruas para celebrar a vitória do PSG na final da Champions League.
Vinte e dois mil policiais foram mobilizados em toda a França para o jogo, incluindo 8.000 em Paris, após distúrbios terem marcado a vitória do PSG na competição no ano passado. As linhas de bonde de Paris foram interrompidas, várias estações de metrô foram fechadas e o tráfego de ônibus foi suspenso em alguns locais na tentativa de minimizar os distúrbios.
Segundo o Ministério do Interior francês, 416 pessoas foram detidas em todo o país, incluindo as 283 apreendidas em Paris.
O ministro do Interior, Laurent Nunez, disse que sete policiais ficaram feridos e classificou os distúrbios como “absolutamente inaceitáveis”.
Seis veículos e dois estabelecimentos comerciais foram danificados.
Um grupo de torcedores também invadiu o anel viário de Paris, interrompendo o trânsito por algum tempo e soltando sinalizadores, disse um fotógrafo da AFP.
Enquanto os torcedores celebravam a dramática vitória nos pênaltis na capital húngara, Budapeste, cerca de 20.000 pessoas se reuniram na icônica avenida Champs-Elysées de Paris, informou a polícia.
As lojas fecharam suas vitrines com tapumes antes da partida para evitar uma repetição dos distúrbios do ano passado, quando jovens saquearam estabelecimentos na Champs-Elysées e em outras ruas. Centenas de pessoas foram presas.
Duas dúzias de sinalizadores e cerca de 100 fogos de artifício foram apreendidos no sábado, enquanto um ponto de ônibus foi destruído perto da Champs-Elysées.
A partida também aconteceu em uma noite agitada em Paris, com a cantora Aya Nakamura se apresentando no Stade de France, o estádio nacional, o rapper Damso na La Défense Arena e o Aberto da França de tênis a todo vapor.
A polícia disse que uma padaria e um restaurante foram danificados perto do estádio Parc des Princes do PSG, onde milhares se reuniram para assistir à partida, mas de 4.000 a 5.000 pessoas ficaram do lado de fora.
Cerca de 150 pessoas “tentaram entrar por um dos portões” do estádio, mas a polícia as conteve, disse um porta-voz.
Alguns também tentaram erguer uma barricada com bicicletas de aluguel, que foi removida pela polícia.
Um repórter da AFP no local afirmou que confrontos eclodiram entre a polícia e torcedores perto do estádio, e os policiais responderam com gás lacrimogêneo quando fogos de artifício foram lançados contra eles.
As cenas irritaram a extrema-direita francesa, com a três vezes candidata presidencial Marine Le Pen escrevendo no X que “só na França a vitória de um clube de futebol provoca tumultos”.
“Só na França todos se sentem obrigados a se trancar em casa na noite de uma vitória para evitar serem confrontados com violência”, afirmou.
Nunez disse que havia um “sistema muito robusto e muito sólido em vigor” para conter a violência.
“Nossa responsabilidade é garantir a todos uma celebração festiva que seja tranquila e totalmente segura”, disse um porta-voz da polícia.
Os jogadores participarão de um desfile na tarde deste domingo (31) no Champ-de-Mars, em frente à Torre Eiffel, com cerca de 100.000 pessoas esperadas, antes de serem recebidos pelo presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu.
Fonte: Folha de São Paulo