Eu gostaria de escrever esta frase em relação à partida do Brasil contra o Haiti na Copa do Mundo: “Vai ser uma moleza!”.
E escrevi, mas sem convicção. Em outros tempos, o Haiti seria uma barbada. A dúvida, só uma: goleada de quanto? Hoje, a tendência é que não seja. Nem barbada, nem goleada.
A seleção brasileira entra em campo nesta sexta contra os haitianos, na Filadélfia (EUA), pela segunda rodada do Mundial, extremamente pressionada. Mais que o resultado (1 a 1), o desempenho contra Marrocos, na estreia, foi insatisfatório. Pífio.
A primeira meia hora dirão que é para esquecer, de péssima que foi, com os marroquinos fazendo os brasileiros correrem a esmo, sem ver a cor da bola. Eu digo que é para lembrar, fazer dessa meia hora um aprendizado e buscar fórmulas para impedir a repetição.
Nesse quadro de pressão, o Brasil, possivelmente modificado em comparação ao 11 inicial que foi a campo em Nova Jersey, enfrentará uma retranca, um paredão branco (a cor do uniforme do Haiti para o jogo) à frente do goleiro Placide.
Hora do italiano. Treinador com salário astronômico (R$ 5 milhões por mês), Carletto Ancelotti precisa ter treinado os brasileiros a executarem jogadas que derrubem essa parede, ou que a contornem, ou que a saltem. Está lá para resolver pepinos.
Não servirá de desculpa para inoperância o adversário jogar fechado. Sabe-se de véspera que será assim. Bola com o Brasil, marcação forte e atenta do Haiti. Que, caso consiga roubá-la, partirá em velocidade no contra-ataque.
O roteiro está previsto. O Haiti tentará repetir o que Cabo Verde, um calouro em Copas, fez com êxito diante da Espanha, que sem criatividade e rapidez e com um futebol burocrático, de toquinhos laterais, objetividade e ousadia mínimas, facilitou para a zebra: 0 a 0.
Cotado para entrar na lateral direita, Danilo afirmou ter visto os cabo-verdianos “deixarem a vida em cada bola, irem além até da saúde” para fazer “um papel bonito na Copa contra uma seleção favorita”. É de esperar que os haitianos ajam da mesma forma contra o Brasil.
A mensagem de Danilo é esta: com técnica superior, é preciso ter mais disposição, mais garra que o adversário. Muita gente questiona o comprometimento desse time, desconectado do povo brasileiro porque a maioria dos atletas atua fora, em grandes ligas europeias ou não (tem dois na Rússia, tem dois na Arábia Saudita).
Copa 2026
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Difícil torcer para quem às vezes nem se conhece. Para Ibañez. Para Igor Thiago. Para Douglas Santos. Tostão pediu o Endrick. O Brasil pediu e pede o Endrick. Pois sabe quem é o Endrick.
O Endrick estava doido para jogar contra Marrocos. O ataque do Brasil, débil, clamava por ele. E Ancelotti nada, manteve o garoto no banco. Uma tola ancelottice.
Na sua idade, 67 anos, Ancelotti não pode ser tolo. Não quer começar com o Endrick? Jogo encrencado, bote-o no intervalo.
Ancelotti há de prezar pela paz para a seleção (e consequentemente para ele). Ela virá, em dose maior ou menor (somos exigentes!), com uma vitória sobre o Haiti.
Empatar ou perder (de um rival batido 100% das vezes pelo Brasil, três goleadas, 17 gols a favor e 1 contra) significará uma hecatombe, um dos piores pesadelos –só que estando acordado.
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Fonte: Folha de São Paulo