O técnico Carlo Ancelotti afirmou na manhã de sábado (30) que não considera a possibilidade de cortar Neymar da Copa do Mundo. O atacante de 34 anos se apresentou à seleção brasileira com uma lesão muscular na panturrilha direita, mas será mantido no grupo enquanto trabalha pela recuperação.
“Para ser claro: ele vai estar conosco até o dia em que se recuperar e ficar disponível. Pensamos que ele poderá estar recuperado para o primeiro jogo da Copa do Mundo. Se não puder se recuperar para o primeiro, vai se recuperar para o segundo jogo”, afirmou o treinador, em entrevista concedida antes do treino da equipe verde-amarela na Granja Comary, em Teresópolis.
“Não temos nenhuma dúvida de que não vamos trocar ninguém. Os jogadores escolhidos são estes 26, e estes 26 vão jogar a Copa do Mundo. Por má sorte, Neymar teve esse pequeno problema que não lhe permite treinar com o grupo, mas ele está trabalhando muito bem em nível individual”, acrescentou.
O jogador sentiu um problema na panturrilha em sua última partida pelo Santos, no dia 17 de maio, véspera da convocação do Brasil para o Mundial. O clube dizia se tratar apenas de um edema, um acúmulo de líquido entre as fibras musculares. Os exames da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), porém, apontaram uma lesão de grau 2, com ruptura parcial das fibras.
O médico Rodrigo Lasmar afirmou na quinta-feira (28) que o prazo de recuperação era de duas a três semanas. A estreia do Brasil no Mundial ocorrerá em 13 de junho, portanto 16 dias contados a partir do momento em que o diagnóstico foi apresentado. “Pensamos que ele vai se recuperar rapidamente”, disse Ancelotti.
O treinador repetiu incontáveis vezes ao longo do último ano que a convocação ou não de Neymar seria baseada em suas condições físicas. Chegou a afirmar que só teria no grupo jogadores “100%”. Questionado sobre a aparente contradição na manutenção de um atleta lesionado, ele procurou se justificar.
“Falei sobre isso em março, provavelmente não expliquei bem. Falei que poderia chamar um jogador que não estivesse 100%, mas que poderia estar 100% na Copa do Mundo. Por má sorte, não estarão 100% para a Copa do Mundo o Militão, o Rodrygo e o Estêvão. Mas poderá estar 100% o Neymar”, declarou.
Indagado se teria convocado o jogador se tivesse ciência de que ele tinha uma lesão de grau 2 na panturrilha, Ancelotti sorriu. “Sabe o que se diz na Itália? ‘Se minha avó tivesse rodas, seria um carro.’ O Neymar estava entre os 26 quando cheguei ao Museu [do Amanhã, onde foi anunciada a lista].”
O treinador apontou que sua credibilidade vai ser aferida com base nos resultados obtidos na América do Norte, não na convocação. E reiterou que a inclusão do veterano craque na lista ocorreu por motivos estritamente futebolísticos, não por imposição de dirigentes ou interesses comerciais.
“A pressão que existiu não foi externa, foi pela qualidade dos jogadores brasileiros no mundo. Essa era a pressão. Deixamos fora da lista jogadores importantes. Tomamos a decisão sem nenhum tipo de pressão externa. A pressão que nós nos impusemos na comissão técnica foi tentar escolher os melhores jogadores possíveis. Acreditamos ter escolhido os jogadores certos”, disse.
Ancelotti, por fim, contou ter conversado com Neymar sobre seu lugar no grupo. Aquele que foi o principal jogador do Brasil nas últimas três Copas terá uma função bem diferente na edição 2026, algo que já estava claro antes mesmo da lesão. De acordo com o comandante, a mensagem foi bem recebida.
“Falamos um pouco de tudo. Falamos de sua recuperação, falamos da importância que ele pode ter neste momento. Ele entendeu muito bem o papel que tem que ter nesta Copa do Mundo. Ele está trabalhando em um bom ambiente, vai ser importante para o nosso ambiente. É importante que ele entenda bem seu papel, e creio que tenha entendido muito bem.”
Fonte: Folha de São Paulo