Na véspera da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, Neymar viveu uma situação incomum neste domingo (17). Um erro da arbitragem antecipou sua saída de campo na partida entre Santos e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, na Neo Química Arena.
Aos 17 minutos do segundo tempo, o camisa 10 estava fora do gramado recebendo atendimento médico após relatar dores na panturrilha, enquanto o Santos preparava uma substituição. A troca definida pela comissão técnica previa a saída de Escobar para a entrada de Robinho Jr., mas, no momento da sinalização conduzida pelo quarto árbitro Bruno Mota Correia, a placa eletrônica mostrou, por engano, o número de Neymar.
Mesmo com a ficha oficial da arbitragem registrando Escobar como o jogador a ser substituído, o árbitro principal Paulo Cesar Zanovelli da Silva considerou a alteração concluída após a entrada de Robinho Jr. e impediu o retorno de Neymar ao campo. A decisão provocou protestos imediatos de jogadores e integrantes do banco santista.
O mais inconformado era o próprio camisa 10. Neymar chegou a tirar das mãos de Bruno Mota Correia o documento entregue pela comissão técnica santista com a substituição correta e o exibiu para um cinegrafista à beira do gramado, numa tentativa de comprovar o erro.
Por ter voltado ao campo sem autorização, o craque ainda recebeu um cartão amarelo.
A arbitragem, porém, manteve a decisão sob o argumento de que Robinho Jr. já havia participado da partida.
Após a partida, usando um casaco verde e amarelo, Neymar disse que está vivendo a expectativa de ser convocado por Ancelotti. Segundo ele, a roupa escolhida para a entrevista não foi uma mensagem para o técnico italiano e, sim, um presente que ele recebeu do filho do ex-jogador inglês David Beckham.
“Sou brasileiro como você também é. Todo o mundo está esperando isso. Obviamente que é meu sonho, sempre deixei isso bem claro a vocês, estar na Copa do Mundo. Trabalhei para isso”, disse o jogador, antes de contar sobre o presente.
“Esse casaco foi presente de um amigo meu, que é o filho do Beckham, o Romeo Beckham. Ele escreveu aqui até um negócio das Olimpíadas. Falei para ele que iria usar. Foi por isso, não foi por nada de mandar mensagem. É um clima que todo o mundo está esperando, todo o mundo esperando a convocação de amanhã. Por que não usar? Além de ser jogador, quero estar lá. Se eu não estiver, vou ser mais um torcendo pelo Brasil na Copa”, acrescentou.
Ainda que a polêmica possa ter prejudicado o Santos e, sobretudo, Neymar, até o momento do ocorrido, o camisa 10 fazia uma atuação discreta. Com a missão de mostrar à comissão técnica de Carlo Ancelotti que está em condições físicas de ser convocado para defender o Brasil na Copa do Mundo, Neymar produziu pouco em campo. Não venceu muitos duelos individuais, não conseguiu imprimir suas arrancadas características nem encontrou maneiras de ajudar a equipe a se organizar ofensivamente.
No momento em que ocorreu o erro da arbitragem, Cuca tentava justamente aumentar o poder ofensivo da equipe, que perdia por 3 a 0 —placar construído ainda no primeiro tempo, com dois gols de Breno Lopes e um de Josue, e mantido até o apito final.
A situação santista ficou ainda mais delicada aos 27 minutos, quando Álvaro Barreal foi expulso e deixou a equipe com um homem a menos na reta final da partida.
Agora, Neymar tem pouco mais de 24 horas para saber se seu esforço em campo, no tempo em que conseguiu jogar, foi suficiente. A convocação será nesta segunda-feira (18), às 17h (de Brasília), em um evento promovido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
“Fisicamente, me sinto muito bem. Venho melhorando a cada jogo e fiz o máximo que pude. Não foi fácil. Confesso que não foi fácil. Foram anos de muito trabalho, também de muita falação errada sobre minhas condições e o que eu fazia”, disse Neymar.
“É muito triste a forma como a galera fala sobre isso. Trabalhei firme, quieto, em casa, sofrendo pelo que as pessoas falavam e deu tudo certo. Cheguei inteiro até onde eu queria. Fico feliz pelo meu rendimento e por tudo o que fiz até agora. Que amanhã seja o que Deus quiser. Independente do que for acontecer, com certeza o Ancelotti convocará os 26 melhores para essa guerra”, finalizou o craque.
Fonte: Folha de São Paulo