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Lucas chora após ouro nas Olimpíadas: ‘nada é impossível’ – 14/02/2026 – Esporte

Lucas Pinheiro Braathen durante segunda descida em Milão-Cortina - Angelika Warmuth - 14.fev.26/Reuters

Bastante emocionado após a conquista histórica da primeira medalha do Brasil em uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, Lucas Pinheiro Braathen, campeão do slalom gigante no esqui alpino em Milão Cortina, afirmou que espera que o feito possa inspirar uma nova geração de esportistas no país que ele escolheu adotar.

“Inexplicável. É totalmente inexplicável. Não tenho como botar palavras para as minhas sensações agora”, começou em entrevista ao SporTV o norueguês filho de mãe brasileira que passou a competir com as cores verde e amarela em meados de 2024.

“Com todo mundo assistindo aí no Brasil, me acompanhando, torcendo por mim, provavelmente isso pode ser um ponto de inspiração para crianças da próxima geração, de que nada é impossível. Não importa onde você está, suas roupas, a cor da sua pele, O que importa é o que existe aqui dentro [apontando para o coração]. E eu esquio com meu coração”, emendou entre lágrimas o campeão olímpico.

Passando a competir pelo Brasil após desentendimentos com a federação norueguesa sobre a condução de sua carreira dentro e fora das pistas de neve, Lucas afirmou também que enfrentou dificuldades culturais no seu país de origem, mas que hoje contribuem para ser quem é.

“Foi muito difícil achar meu espaço nas minhas comunidades. E foi pesado, mas eu estou crescendo, agradecendo e achando gratidão pelas diferenças, porque acho que essas diferenças que realmente trouxeram o ouro para a casa brasileira hoje, porque a sua diferença é o que é o seu superpoder. E hoje eu consegui confiar nisso”, desabafou Lucas.

Ele disse também que a disputa pelo pódio na prova do slalom gigante foi uma verdadeira “guerra”. Na corrida pelo primeiro lugar, o brasileiro deixou para trás o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em Pequim-2022, tetracampeão da Copa do Mundo e um dos favoritos em Milão-Cortina. Odermatt terminou com a prata, 58 décimos de segundo atrás do brasileiro.

“Eu estava puxando, puxando, puxando. Sempre tentando achar a velocidade, achar o ‘flow’, para descer num ritmo bem rápido”, afirmou Braathen.

O esquiador explicou que é preciso se adaptar rapidamente às mudanças entre a primeira e a segunda descida, especialmente em relação à neve, que é “completamente diferente”, conforme os competidores vão passando pela pista.

“Achei o balanço. Estava esquiando com o coração. E quando você esquia do jeito que você é, tudo é possível”, afirmou o esquiador.

“A única coisa que importa pra mim é que eu continuo sendo quem eu sou. Eu sou o esquiador brasileiro que virou o campeão olímpico.”

Lucas ainda vai competir em busca de mais uma medalha na segunda-feira (16), quando disputa o slalom. Ele afirmou que vai contar com o apoio da família, dos amigos e da torcida para tentar conquistar mais um resultado histórico para os esportes de neve do Brasil.

“Minha família aqui, meus amigos aqui, o Brasil assistindo de casa. Vou só tenta canalizar todo esse amor, toda essa energia para em dois dias dançar um pouquinho mais”, afirmou o esquiador, conhecido no circuito internacional pelas danças descontraídas que faz no pódio.

Fonte: Folha de São Paulo

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