Após uma década, o treinador espanhol Pep Guardiola deixará o Manchester City ao final da temporada, anunciou o clube nesta sexta-feira, encerrando uma das eras mais vitoriosas do futebol inglês e um dos reinados mais influentes de um técnico na história.
A saída do treinador catalão de 55 anos encerrará um capítulo notável que transformou o City em uma potência do futebol.
Guardiola, que assumiu o comando do City em 2016, conquistou seis títulos da Premier League —incluindo quatro consecutivos—, três Copas da Inglaterra, cinco Copas da Liga e a Champions League, mas sua equipe não vence o campeonato nacional há dois anos.
“Não me perguntem os motivos da minha saída. Não há motivo, mas, no fundo, sei que chegou a minha hora”, disse Guardiola em um comunicado.
“Nada é eterno; se fosse, eu estaria aqui. Eternos serão os sentimentos, as pessoas, as memórias, o amor que tenho pelo meu Manchester City. Trabalhamos. Sofremos. Lutamos. E fizemos as coisas do nosso jeito. À nossa maneira.”
Embora o City tenha conquistado a dobradinha das copas nacionais nesta temporada, Guardiola viu seus sonhos de um sétimo título da Premier League serem frustrados quando o time empatou em 1 a 1 com o Bournemouth na terça-feira, dando o título ao Arsenal, com o City destinado a terminar em segundo lugar.
Seu último jogo no comando será o confronto em casa contra o Aston Villa, no domingo (24), antes de assumir o cargo de embaixador global do City Football Group, dando consultoria técnica aos clubes do grupo.
O City também anunciou que a arquibancada norte ampliada do Etihad Stadium será nomeada Arquibancada Pep Guardiola, e uma estátua será encomendada para ser exibida na entrada da arquibancada.
Campanhas históricas
Guardiola chegou a Manchester com um currículo já repleto de troféus conquistados por Barcelona e Bayern de Munique, assumindo o lugar de Manuel Pellegrini em julho de 2016.
Após herdar um clube vitorioso financiado pelo Abu Dhabi United Group, Guardiola sairá tendo construído um império futebolístico depois de conduzir uma mudança de paradigma nas táticas da Premier League.
Enquanto Guardiola enfrentava o desafio de se adaptar ao ritmo acelerado e à intensidade física característicos do futebol inglês, a posse de bola se tornou uma forma de arte e uma ferramenta defensiva no City, com suas equipes buscando controle absoluto do jogo.
O resultado não foi apenas domínio total —evidenciado por campanhas históricas como a temporada 2017/18 com 100 pontos e 106 gols marcados—, mas também uma consistência implacável ano após ano, incluindo o recorde de quatro títulos consecutivos do campeonato.
Os elencos de Guardiola estabeleceram novos padrões, forçando outras equipes a evoluir, enquanto o poderio financeiro do City, combinado com contratações astutas como a do cobiçado atacante Erling Haaland, ajudou a conquistar a tríplice coroa em 2022/23.
No entanto, o espectro das 115 acusações de supostas violações das regras financeiras da Premier League paira sobre sua passagem pelo clube.
Guardiola elevou o nível
Sua rivalidade com o ex-técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, elevou tanto o nível da Premier League que até mesmo 97 pontos se mostraram insuficientes para o time de Anfield conquistar o título em 2018/19.
Mais recentemente, Guardiola enfrentou o desafio de seu pupilo e ex-auxiliar técnico Mikel Arteta, que assumiu o Arsenal e terminou em segundo lugar atrás do City duas vezes antes de finalmente conquistar o troféu nesta temporada.
Mas Guardiola olhou com carinho para seu tempo em Manchester, lembrando como a cidade se uniu após o atentado na Manchester Arena e também descrevendo como o clube o ajudou em um período difícil quando perdeu sua mãe para a covid-19.
“Os torcedores, a comissão técnica, o povo de Manchester, vocês me deram força quando eu mais precisei”, acrescentou.
“Jogadores, não se esqueçam —cada instante, cada momento, eu, minha comissão técnica, este clube, tudo. O que fizemos, fizemos por todos vocês. E vocês foram simplesmente excepcionais. Vocês ainda não sabem, mas estão deixando um legado.”
“Senhoras e senhores, obrigado por confiarem em mim. Obrigado por me incentivarem. Obrigado por me amarem… Tony Walsh disse em seu inesquecível poema: ‘Este é o lugar’. Me desculpe, Tony: este é o meu lugar.”
Fonte: Folha de São Paulo